Uma carta para meu eu de 10 anos atrás…

Garota, presta bem atenção no que eu vou te dizer – presta mesmo porque eu sou dez anos mais velha que você e isso é muita coisa. Você aí, com esses 11 anos lindos, nessa época não tão linda da vida, na sexta série de um colégio que você não gosta, cheio de pessoas que você não gosta; vê só, relaxa. Tudo que vier pela frente vai servir tanto pra definir o que você vai se tornar, quanto pra definir o que você definitivamente não vai se tornar.

Leva esse hábito de estudar escrevendo pro resto da vida, vai te servir muito, e guarda tuas agendas – aquelas da CEF, que você pega do pai -, vai ser o máximo lê-las aos 21 anos, principalmente as averbações com letras de músicas que você vai gostar até o futuro. Aproveite esse tempo pra se especificar em alguma coisa, vá escrever, ou fazer aula de piano, ou jogar xadrez e competir, vá e faça, e termine de fazer. É o conselho mais importante de todos: se começar alguma coisa, termine. No futuro, se não fizer isso, vai pesar. Mas também acredite que sempre é tempo de começar e terminar as coisas, os projetos.

Você vai sofrer um bocadinho por quem não merece, mas essa é a vida e são as experiências que forjam quem você vai se tornar. Seu escudo vai ser bem forte, pode ter certeza, e pra ele baixar, vai dar trabalho. Acho que essa é uma das coisas boas de sofrer, você acaba amadurecendo e endurecendo um pouco também, e é saudável, vai preparar você pra hora certa do escudo descer e você enfrentar de outro jeito as emoções da vida. Vai valer tanto a pena!

Outra coisa, saia mais de casa. Vá andar por aí, eu sei que você vai viajar bastante, aproveite cada segundo (leb die Sekunde! Em alguns anos, essa frase vai fazer todo sentido), descubra o mundo. Se puder, viaje pelo Rotary, antes de acabar a escola (eu sei que isso não vai acontecer, mas é um bom conselho ainda assim).

Tente não odiar a faculdade e as pessoas que nela estudam. Eu sei que vai ser incrivelmente difícil (você vai ver os tipos que vão aparecer por lá, lamentável…), mas você vai tentar e vai conseguir tirar boas pessoas daquele ambiente, até o homem da sua vida! Então, por cinco anos, tente aguentar, estude mesmo, tire leite de pedra daquele lugar!

Por fim, ame. Ame e se expresse como sempre fez, e nunca deixe que NADA suprima a necessidade e a capacidade que você tem de se expressar, de todas as formas artísticas possíveis.

Projeto Fotográfico: Das partes que fazem o todo

O post de hoje é especial. Por dois motivos:

1. É uma ótima oportunidade de estimular minha criatividade, que, vamo combinar, tava me deixando na mão nos últimos tempos.

2. É a minha estreia no Rotaroots, um grupo de blogueiros cuja intenção é retomar a blogagem de raiz, sem todo aquele mimimi de regras, blogagem como meio de se expressar livremente. Obviamente eu amei a ideia e me empolguei em participar, vagueio por esse universo blogosférico há anos sem nunca ter realmente me dedicado a ele, mas sinto que é o meu lugar de extravasar o meu “eu”, o que nos leva ao tema de hoje: Das partes que fazem o todo, ou seja, do que eu sou feita, o que me inspira e me faz ser quem eu sou, e, o melhor: tudo registrado em fotos!!

 

  • Maquiagem: uma das mais interessantes e versáteis formas de expressão que uma pessoa pode utilizar (apenas lembrando que: #stopthebeautymadness, maquiagem é pra ser diversão, não obrigação!), amo! ♥
  • Berlim: a cidade onde fiz intercâmbio e para onde quero voltar com urgência! Melhor cidade do mundo!
  • Música: é o remédio pra alma, para todos os humores, a companhia de todas as horas.
  • Livros: o hábito da leitura me acompanha desde a mais tenra idade e, se depender de mim, minha biblioteca será maior que o meu quarto! ♥
  • Meu homi ♥ : aí é o clichê mais lindo que existe, minha metade da laranja! ♥♥♥♥♥♥♥♥♥
  • Fotografia: mãe fotógrafa e filha um tanto narcisista, gosto de fotografar e gosto de autorretratos (saudades hífen), que o diga meu instagram e suas mais de mil fotos.

P.S.: ESSA LISTA NÃO ESTÁ EM ORDEM DE PREFERÊNCIA. 


 

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo com intuito de reunir blogueiros “de raiz”, que escreviam por diversão e amor aos diários virtuais. ♥

Smokey Eye Preto Tutorial!

Amo maquiagem desde sempre, e sempre ando me maquiando por aí e mostrando no instagram (@thatsthaisf, segueaê!!), mas confesso que a paciência pra fazer vídeos não vem sempre, é coisa de fase. A última vez que fiz vídeo de tutorial foi lááá em 2012, e foram só três vídeos. Outra coisa que também dificulta um pouco: sou totalmente leiga em edição de vídeo – nada que não se aprenda, né, mas é chatinho fazer um vídeo massa e não saber editar.

Maaaaaas, no momento estou na fase de empolgação com os vídeos e fiz mais um, dessa vez, de olho preto esfumado, ou smokey eye. Botei o vídeo pra estabilizar no youtube mesmo e do meio pro final ele ficou meio estranho no fundo, mas dá pra acompanhar legal. Aqui embaixo vou listar os produtos que usei, ok?

Enjoy!!

 

Tutorial de Maquiagem !

2014-09-05 01.05.24

Maquiagem é amor. Tem tantas milhões de serventias que fica até difícil enumerar, mas basicamente dá pra criar qualquer coisa por maquiagem, é uma das formas de expressão mais marcantes e únicas que existem, e, definitivamente, é a que eu mais gosto. Não tenho muito costume de fazer tutoriais – mas tenho vontade de sobra pra aprender! hehe -, mas fiz alguns em 2012, a pedido de amigas. Em 2014, novamente a pedido de amigas, resolvi retomar os tutoriais. Dessa vez, gravei como eu faço meu delineado gatinho. Deu trabalho, como sempre dá, afinal, não sou uma profissional, embora leve algum jeito pra fazer maquiagem hahah

Então é isso, um vídeozinho relativamente simples, bem caseiro (preciso com urgência aprender a editar vídeos, pelamor), hope you like it!

Sobre gripe e vida.

Tantos séculos sem andar por aqui, às vezes, timidamente, só mudando o layout, finalmente resolvi postar. Não tenho nenhum assunto em mente e mentiria se dissesse que estou inspirada. Na verdade, estou esperando ansiosamente o portal da universidade funcionar para que eu possa fazer minha matrícula. Enquanto isso, tenho sono, moleza, olhos doloridos, dor de cabeça, olheiras e horário para acordar amanhã. O tempo é uma coisa estranha, não é? Num momento está sol e quente, de repente, fica chuvoso e “frio” (jamais há frio em Recife, no mínimo 22º C). E aí o que acontece? Eu adoeço. Sempre. Todas as vezes.

 

 

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Aleatoriedades

 

Escrever nem sempre tem sido uma tarefa fácil. Na verdade, a última vez em que escrevi facilmente, deveria ter dezesseis ou dezessete anos, quando o mundo parecia intenso demais e eu precisava expor minhas onipresentes opiniões sobre tudo. Bons anos de espontaneidade, aqueles. Alguma inconsequência, também. A ânsia de saber de tudo, de achar que sabia de tudo – nem que fosse um pouco.

A maturidade chega, afinal. O conforto em saber que não sei de tudo, nem de perto, na verdade. A tranquilidade em não ter opinião para todas as coisas. O reconhecimento do meu óbvio lugar no universo, como ser em aprendizado constante. É uma sensação libertadora, essa aceitação de não controlar tudo ao meu redor. Não que alguma vez eu achasse que tinha o mundo sob o meu controle, mas sentia a urgência em tê-lo.

 

Sobre a decepção

Quando eu era mais nova, antes de começar a pensar seriamente em vestibular, eu queria ser uma estrela da música. Ainda quero, na verdade, mas isso é papo para outro post. Quando fiquei mais velha, criei a quase utópica noção de que cursaria Direito na federal, me apaixonaria completamente pela Academia, prestaria um concurso para juíza do Trabalho e seria feliz assim. Só que eu nunca tinha parado pra pensar na faculdade em si, é claro que ouvia os rumores sobre como alunos da federal são autodidatas etc, mas isso nunca passou pela minha cabeça como um tipo de coisa que afetaria meu futuro. Fiquei ainda mais velha, e já não tinha certeza do que queria fazer, gostava das matérias de humanas e de física, não curtia as outras exatas nem saúde. Fiz alguns testes vocacionais, que, curiosamente, apontaram que eu tinha aptidão para a medicina (área de saúde) e para o direito (humanas/sociais). Passado o período de dúvidas existenciais, aos 15 anos, resolvi que ia cursar Direito mesmo, já que eu não tinha uma vocação evidente (ignorando completamente a parte musical), ao menos poderia fazer algo familiar a mim (meu pai e muitos familiares cursaram direito e atuam na área) e que pudesse me dar estabilidade (leia-se: fazer concurso público e ter emprego garantido pro resto da vida, basicamente).

Comecei a faculdade numa universidade particular, e fui bastante feliz nos dois semestres que estudei lá, ainda sem ter muito contato com o direito mesmo, e sim com as matérias mais filosóficas da coisa. Depois fui pra federal, e foi aí que a confusão começou. Aquela história de que aluno de universidade federal é autodidata é muito verdade, além de que nós temos que lidar com os egos cada vez maiores de certos professores… Conforme o tempo foi passando e eu não me identificava muito com nenhuma matéria, eu pensava: “ah, tô muito no início ainda, tenho muita coisa pra aprender, com certeza vou descobrir minha paixão…”. E assim passei pelo terceiro, quarto, quinto períodos. No meio da faculdade ainda sofri uma greve de 4 meses, o que enlouqueceu o calendário acadêmico e acabou com minhas férias até a formatura (considerando que não haja mais greves até lá).

Pois bem, estou no sexto período. Me pergunte se eu gosto de alguma cadeira que estou estudando agora. Não gosto. Cheguei num nível de saturação que até ir para a faculdade me tira a paciência. Vou pelos meus amigos, nunca pelos professores ou pelas aulas. Falando em professores, o que tenho visto tem me enojado de uma maneira que fica difícil não desacreditar naquela instituição. Onde já se viu professor de Ética fazendo chantagem com aluno? Onde já se viu professor de Processo Penal deixar aluno às lágrimas? Pois é, lá isso já aconteceu.  Professores terroristas, mesquinhos, perversos. Cadeiras mal dadas. Eu sei que essa realidade é comum, toda faculdade tem seus malas, mas eu falo da minha porque é o lugar onde eu passo algumas horas do meu dia, e não consigo tirar praticamente nada de bom desse tempo além de conviver com amigos.  Fora isso, bem, minha única esperança de gostar do que eu tô fazendo é o meu novo estágio, numa área que me interessa, que é o direito penal, então é isso.

Precisei escrever isso aqui porque estava entaladíssimo na minha garganta e tinha que sair. Passar bem.

Sobre a inércia diante do caos

 

Quando resolvi criar este cantinho, jamais imaginei que o nome que daria a ele seria tão coerente. Coerente com tudo, quero dizer. Com minha cabeça, e com o mundo em que eu vivo. Honestamente, eu sei que a vida é feita de desafios e novas experiências a cada dia e que temos que lidar com tudo de cabeça erguida e postura firme, mas há alguns períodos em que eu gostaria de me enfiar embaixo do edredom (num ambiente refrigerado, obviamente) e só sair depois que tudo tiver passado. É claro que isso é ilusão e que eu não posso fazer nada parecido, primeiramente porque meus problemas não se resolvem com mágica, e segundo porque eu tenho responsabilidades comigo e com outras pessoas. Portanto, não posso me esconder.

Acontece que, neste exato período, o que está rolando na minha vida é (e agora vem a lista):

1. Calendário acadêmico destrambelhado – graças à greve de 4 meses do ano passado, eu estou em pleno mês de julho tendo aulas (inclusive aos sábados), e só terei férias de novo em outubro (e assim por diante, tudo desorganizado). O que isso causa? Primeiro, inveja de todo mundo que está de férias agora e que tem seus calendários acadêmicos devidamente organizados; segundo, dá uma tristeza, porque aparentemente, o calendário só vai normalizar quando eu estiver me formando (o que é uma tristeza ainda maior, mais nostalgia, na verdade, e papo pra outro post).

2. Estágio – eis a experiência nova do momento. Pra uma pessoa que nunca trabalhou na vida, de repente estagiar E ter aulas em DOIS turnos todos os dias virou uma experiência de amor e ódio. Amor porque, bem… Tô ganhando meus dinheirinhos, aprendendo a me virar. Ódio porque eu tive a brilhante ideia de adiantar cadeiras na faculdade, o que me leva ao próximo item.

3. Acúmulo de estudo/trabalho – pois é. Ter aulas todos os dias pela manhã e pela noite, E estagiar. Fora que o estágio fica do outro lado da cidade, e a faculdade e o trabalho ficam longe de onde eu moro. Nunca detestei tanto o trânsito de Recife na vida como agora, e junto com ele, o sistema precário de transporte público. Além desse desconforto (e olhe que eu sou cara de pau e consigo muitas caronas pela vida), cabou-se o tempo pra estudar. E assim, vou acumulando meus trabalhos, minhas matérias, meu lazer (saudades da época em que podia me dar o luxo de ler livros cuja temática passava longe do mundo jurídico) para depois, e nunca dá pra desacumular, porque sempre tem mais. 

4. Falta de tempo – este item é uma continuação do anterior, mas o foco é outro. Nessa falta de tempo, acabou que eu não estou conseguindo, no momento, fazer minhas atividades físicas (além de estar constantemente doente, vale salientar!!!), o que é de extrema importância pra mim (quem me conhece sabe, e sabe também a fera que eu viro com energia acumulada…), e isso resulta num caos interior total, como se não bastasse o exterior.

Então, depois dessa exposição, constatei que: tenho tanta coisa para fazer que acabo não fazendo nada. Isso, simples assim. As atividades se embaralham de tal modo na minha cabeça que eu termino sem conseguir focar em uma de cada vez e, assim, terminar todas. Porque isso é impossível. Cada vez que penso em terminar uma atividade, me aparece outras três no lugar. E, veja, estou escrevendo este texto agora, quando deveria estar dormindo (convalescência…) ou estudando pra prova de quarta-feira. E o que eu estou fazendo? Desabafando. Virtualmente. Fuck logic, eu sei. Agora, devidamente desestressada (ao menos literariamente), vou dormir, que amanhã é sábado e já tem aula…

Apatia

n.f.
1. Ausência de sentimentos ou emoções perante situações ou causas que geralmente provocam comoção;
2. Do mesmo significado de indiferença ou impassibilidade;
3. Ausência ou escassez de energia ou vitalidade; preguiça ou ociosidade;
(Etm. do grego: apátheia)

 

Vinha se arrastando pela vida havia meses, sem metas que despertassem o ânimo – no sentido mais literal e profundo da palavra, alma -, sem motivos para festejar, sem interesse. Apática. As festas não mais a atraíam como outrora. As amizades pareciam superficiais. Episódios novos de seriados não mais causavam comoção. O único resquício de sensibilidade ainda era a reação ao estímulo musical. Música sempre era a melhor opção para qualquer momento, a alternativa perfeita para acompanhar o autoisolamento crescente dos últimos meses. Ela parecia tão normal, comum, ordinariamente comum em sua simpatia, em seu jeito de bem com a vida, é claro que ninguém suspeitaria. Talvez as recusas para festas dessem alguma bandeira sobre o que estava acontecendo, mas era tudo claramente resolvido com os comentários inocentes das amigas: “tás morgada, né, deixa de ser assim!”. Nada que despertasse maior curiosidade, por que despertaria?

A verdade é que desde sempre, aquela moça sentia uma pressão sobre si mesma, talvez fossem as expectativas? Ela as alcançava, quase sempre. Notas boas, bom comportamento, tudo regular. Família no lugar, disso não poderia reclamar jamais, tinha pais amorosos e cuidadosos, e hoje em dia isso é bem difícil de encontrar. Eles eram, talvez, os únicos que poderiam descobrir o que ela escondia com tamanha maestria, maestria que já era automática. Até então, isso não tinha acontecido. Algumas vezes, os pais a percebiam meio cabisbaixa, mas quem não fica assim vez por outra? Jamais pensariam que o problema era crônico, que eles tinham uma filha quebrada.

Ela era quebrada em tantas maneiras! Quebrada em sua indecisão, em sua insegurança, em sua apatia, em sua falta de confiança em si mesma e nos outros, em sua falta de fé que às vezes a acometia, em sua incapacidade de se abrir com quem quer que fosse, sem parecer autopiedosa, em sua constante distorção da própria realidade. Tudo nela, externamente, parecia tão feliz e tão normal, talvez até brilhante, exemplo; ao passo que, internamente, era só o caos. Caos principalmente porque ela percebia o caos que se passava dentro dela, mas não conseguia sentir realmente o caos, ou agir sobre ele. Ela apenas se refugiava em música, em leituras – as que ainda tinha paciência e algum ânimo para fazer -, esperando que a solução chegasse, sem conseguir pensar no que fazer quanto a isso.

A moça estava quase inerte.

 

Um encontro

Dias gelados seguiam noites geladas. Era inverno e a temperatura em Londres variava entre zero e menos quinze graus naqueles últimos dias.  A neve cobria boa parte da cidade, e caminhar ficava cada vez mais difícil, e talvez isso causasse uma menor vontade de sair de casa nas pessoas.

Numa ruazinha cheia de casas iguais e brancas, dois rapazes e uma moça lutavam para carregar três malões que deveriam levar até a estação de metrô de Victoria, em direção a King’s Cross. Os rapazes, gêmeos, eram completamente diferentes e chamavam a atenção a quilômetros de distância, um com cabelos negros em forma de moicano, o outro com dreads loiros e um boné negro na cabeça. A moça tinha um quê de meiga e de moleca, com seus cabelos castanhos, levemente ondulados, que caíam até a cintura, e com seu vestido floral contrastado com o par de coturnos pretos que calçava para enfrentar a neve.

O trio caminhava silenciosamente pela Belgrave Road, xingando mentalmente a estação Victoria, por ser mais longe do que a Pimlico, que ficava na rua logo atrás.

– Ainda não consigo entender como isso é possível. – disse a garota, quebrando o silêncio que pairava na rua.

– Isso o quê, Sky? – perguntou o gêmeo das tranças.

– Isso de Hogwarts! Eu sempre acreditei que era lenda urbana essa história de existir magia… Digo, Eton sempre me pareceu ser a versão verdadeira de Hogwarts, de onde deve ter saído a lenda. E agora, nós três recebemos cartas pra ir até lá? – suspirou Sky, afastando a neve enquanto arrastava seu malão marrom.

– Eu fiquei chocado também, especialmente porque eu e Chris não somos nem britânicos! Se estivéssemos em Berlim ainda, será que receberíamos as cartas? – disse o gêmeo do moicano.

– Drake, eu sou tão alemã quanto vocês, mesmo morando aqui há milhões de anos, e recebi a carta. Agora eu me pergunto uma coisa, será que a lenda do Harry Potter é somente lenda? Porque né, depois de descobrir que Hogwarts existe… – questionou Sky, pensativa.

– O que, Harry Potter? Claro que deve existir! Imagine, nós chegamos lá, somos mais velhos, e conhecemos o famoso Harry Potter! – Drake, o gêmeo do moicano, praticamente dava pulinhos de alegria.

– Se toda a lenda for verdadeira, espero que a Hermione Granger seja bonita… – pensou alto Chris, com um sorriso cheio de malícia.

Sky caiu na risada.

– O que, você está pensando nas garotas? Ai, Chris, você me deprime, sério! Nós vamos estudar MAGIA, vamos ter VARINHAS, vamos aprender FEITIÇOS, e você aí, pensando nas garotas de Hogwarts! – exclamou Sky, dando um soquinho no braço de Chris.

E assim continuaram conversando e discutindo sobre as possíveis verdades na lenda de Hogwarts, que a eles foi repassada pelos pais, que ouviram dos avós, e assim por diante…

A lenda de Hogwarts era conhecida em toda a Europa, e vagamente em outro lugares do mundo, como um universo paralelo, onde Hogwarts era uma escola de magia, e cujo herói era Harry Potter, que desde que nasceu, duelava com o bruxo das trevas, Voldemort. De acordo com as histórias, para se chegar em Hogwarts, era preciso pegar o Expresso de Hogwarts, na inexistente plataforma 9 ¾, em King’s Cross.

O longo caminho até King’s Cross foi feito quase em silêncio. No inverno os metrôs estavam quase sempre vazios, as pessoas não saíam muito de suas casas, e assim, Londres parecia uma cidade fantasma. Sky Schwallier, Drake e Chris Grey, absortos em seus pensamentos, saíram do primeiro metrô, e depararam-se com uma King’s Cross deserta. Passaram a procurar a tal plataforma 9 ¾, mas ao enxergarem as plataformas 9 e 10, não conseguiram encontrar um meio de descobrir o “9 ¾”, até verem um casal carregando malões exatamente iguais aos seus, indo em direção ao meio das plataformas 9 e 10.

– Vamos, anda, Rony, você vai querer perder o trem?? Dessa vez não tem um carro pra você e o Harry roubarem e irem voando! – ouviram uma garota de cabelos vermelhos flamejantes ralhar com o que parecia ser seu irmão mais velho, dado o mesmo tom de vermelho dos cabelos dele.

Sky, Drake e Chris se entreolharam.

– Voando? – sussurraram os três.

Chris, então, provavelmente atraído pela ruiva, aproximou-se dos irmãos.

– Erm, com licença, mas… hm… vocês, por acaso, estariam indo a… –

– Hogwarts? – interrompeu a ruiva. Chris assentiu. – Estamos sim. Você não parece ter 11 anos, mas não sabe como chegar lá?

– Hm, eu, meu irmão e minha prima somos meio que um caso especial, digo, não somos nada demais, mas é que recebemos a carta agora e, bem, parece que não vamos pro primeiro ano… – explicou Tom, confuso, coçando a cabeça.

– Como Dumbledore mandou uma carta pra vocês quando vocês têm… – começou o ruivo, irmão da garota.

– 16 anos. – respondeu Sky, se aproximando do grupo. – A propósito, eu sou Sky, este aqui é o Chris e aquele moicano ali é o Chris.

Os ruivos apertaram as mãos de Sky, Drake e Chris.

– Somos Gina e Rony Weasley, muito prazer. Bem, acho que Dumbledore deve ter alguma explicação pra trazer vocês pra Hogwarts depois de tanto tempo! Digo, eu tenho 16 anos também, e próximo ano letivo será meu último… – disse a ruiva.

– Então, basicamente, temos apenas um ano de escola? – perguntou Drake, falando pela primeira vez.

– Hm… é. – respondeu Rony.

– A propósito, é melhor irmos, o trem parte às onze horas em ponto!