Sobre a decepção

Quando eu era mais nova, antes de começar a pensar seriamente em vestibular, eu queria ser uma estrela da música. Ainda quero, na verdade, mas isso é papo para outro post. Quando fiquei mais velha, criei a quase utópica noção de que cursaria Direito na federal, me apaixonaria completamente pela Academia, prestaria um concurso para juíza do Trabalho e seria feliz assim. Só que eu nunca tinha parado pra pensar na faculdade em si, é claro que ouvia os rumores sobre como alunos da federal são autodidatas etc, mas isso nunca passou pela minha cabeça como um tipo de coisa que afetaria meu futuro. Fiquei ainda mais velha, e já não tinha certeza do que queria fazer, gostava das matérias de humanas e de física, não curtia as outras exatas nem saúde. Fiz alguns testes vocacionais, que, curiosamente, apontaram que eu tinha aptidão para a medicina (área de saúde) e para o direito (humanas/sociais). Passado o período de dúvidas existenciais, aos 15 anos, resolvi que ia cursar Direito mesmo, já que eu não tinha uma vocação evidente (ignorando completamente a parte musical), ao menos poderia fazer algo familiar a mim (meu pai e muitos familiares cursaram direito e atuam na área) e que pudesse me dar estabilidade (leia-se: fazer concurso público e ter emprego garantido pro resto da vida, basicamente).

Comecei a faculdade numa universidade particular, e fui bastante feliz nos dois semestres que estudei lá, ainda sem ter muito contato com o direito mesmo, e sim com as matérias mais filosóficas da coisa. Depois fui pra federal, e foi aí que a confusão começou. Aquela história de que aluno de universidade federal é autodidata é muito verdade, além de que nós temos que lidar com os egos cada vez maiores de certos professores… Conforme o tempo foi passando e eu não me identificava muito com nenhuma matéria, eu pensava: “ah, tô muito no início ainda, tenho muita coisa pra aprender, com certeza vou descobrir minha paixão…”. E assim passei pelo terceiro, quarto, quinto períodos. No meio da faculdade ainda sofri uma greve de 4 meses, o que enlouqueceu o calendário acadêmico e acabou com minhas férias até a formatura (considerando que não haja mais greves até lá).

Pois bem, estou no sexto período. Me pergunte se eu gosto de alguma cadeira que estou estudando agora. Não gosto. Cheguei num nível de saturação que até ir para a faculdade me tira a paciência. Vou pelos meus amigos, nunca pelos professores ou pelas aulas. Falando em professores, o que tenho visto tem me enojado de uma maneira que fica difícil não desacreditar naquela instituição. Onde já se viu professor de Ética fazendo chantagem com aluno? Onde já se viu professor de Processo Penal deixar aluno às lágrimas? Pois é, lá isso já aconteceu.  Professores terroristas, mesquinhos, perversos. Cadeiras mal dadas. Eu sei que essa realidade é comum, toda faculdade tem seus malas, mas eu falo da minha porque é o lugar onde eu passo algumas horas do meu dia, e não consigo tirar praticamente nada de bom desse tempo além de conviver com amigos.  Fora isso, bem, minha única esperança de gostar do que eu tô fazendo é o meu novo estágio, numa área que me interessa, que é o direito penal, então é isso.

Precisei escrever isso aqui porque estava entaladíssimo na minha garganta e tinha que sair. Passar bem.

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