Projeto Fotográfico: Das partes que fazem o todo

O post de hoje é especial. Por dois motivos:

1. É uma ótima oportunidade de estimular minha criatividade, que, vamo combinar, tava me deixando na mão nos últimos tempos.

2. É a minha estreia no Rotaroots, um grupo de blogueiros cuja intenção é retomar a blogagem de raiz, sem todo aquele mimimi de regras, blogagem como meio de se expressar livremente. Obviamente eu amei a ideia e me empolguei em participar, vagueio por esse universo blogosférico há anos sem nunca ter realmente me dedicado a ele, mas sinto que é o meu lugar de extravasar o meu “eu”, o que nos leva ao tema de hoje: Das partes que fazem o todo, ou seja, do que eu sou feita, o que me inspira e me faz ser quem eu sou, e, o melhor: tudo registrado em fotos!!

 

  • Maquiagem: uma das mais interessantes e versáteis formas de expressão que uma pessoa pode utilizar (apenas lembrando que: #stopthebeautymadness, maquiagem é pra ser diversão, não obrigação!), amo! ♥
  • Berlim: a cidade onde fiz intercâmbio e para onde quero voltar com urgência! Melhor cidade do mundo!
  • Música: é o remédio pra alma, para todos os humores, a companhia de todas as horas.
  • Livros: o hábito da leitura me acompanha desde a mais tenra idade e, se depender de mim, minha biblioteca será maior que o meu quarto! ♥
  • Meu homi ♥ : aí é o clichê mais lindo que existe, minha metade da laranja! ♥♥♥♥♥♥♥♥♥
  • Fotografia: mãe fotógrafa e filha um tanto narcisista, gosto de fotografar e gosto de autorretratos (saudades hífen), que o diga meu instagram e suas mais de mil fotos.

P.S.: ESSA LISTA NÃO ESTÁ EM ORDEM DE PREFERÊNCIA. 


 

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo com intuito de reunir blogueiros “de raiz”, que escreviam por diversão e amor aos diários virtuais. ♥

Sobre gripe e vida.

Tantos séculos sem andar por aqui, às vezes, timidamente, só mudando o layout, finalmente resolvi postar. Não tenho nenhum assunto em mente e mentiria se dissesse que estou inspirada. Na verdade, estou esperando ansiosamente o portal da universidade funcionar para que eu possa fazer minha matrícula. Enquanto isso, tenho sono, moleza, olhos doloridos, dor de cabeça, olheiras e horário para acordar amanhã. O tempo é uma coisa estranha, não é? Num momento está sol e quente, de repente, fica chuvoso e “frio” (jamais há frio em Recife, no mínimo 22º C). E aí o que acontece? Eu adoeço. Sempre. Todas as vezes.

 

 

<a href=”http://www.bloglovin.com/blog/12839019/?claim=cmt2cxzma78″>Follow my blog with Bloglovin</a>

Aleatoriedades

 

Escrever nem sempre tem sido uma tarefa fácil. Na verdade, a última vez em que escrevi facilmente, deveria ter dezesseis ou dezessete anos, quando o mundo parecia intenso demais e eu precisava expor minhas onipresentes opiniões sobre tudo. Bons anos de espontaneidade, aqueles. Alguma inconsequência, também. A ânsia de saber de tudo, de achar que sabia de tudo – nem que fosse um pouco.

A maturidade chega, afinal. O conforto em saber que não sei de tudo, nem de perto, na verdade. A tranquilidade em não ter opinião para todas as coisas. O reconhecimento do meu óbvio lugar no universo, como ser em aprendizado constante. É uma sensação libertadora, essa aceitação de não controlar tudo ao meu redor. Não que alguma vez eu achasse que tinha o mundo sob o meu controle, mas sentia a urgência em tê-lo.

 

Sobre a decepção

Quando eu era mais nova, antes de começar a pensar seriamente em vestibular, eu queria ser uma estrela da música. Ainda quero, na verdade, mas isso é papo para outro post. Quando fiquei mais velha, criei a quase utópica noção de que cursaria Direito na federal, me apaixonaria completamente pela Academia, prestaria um concurso para juíza do Trabalho e seria feliz assim. Só que eu nunca tinha parado pra pensar na faculdade em si, é claro que ouvia os rumores sobre como alunos da federal são autodidatas etc, mas isso nunca passou pela minha cabeça como um tipo de coisa que afetaria meu futuro. Fiquei ainda mais velha, e já não tinha certeza do que queria fazer, gostava das matérias de humanas e de física, não curtia as outras exatas nem saúde. Fiz alguns testes vocacionais, que, curiosamente, apontaram que eu tinha aptidão para a medicina (área de saúde) e para o direito (humanas/sociais). Passado o período de dúvidas existenciais, aos 15 anos, resolvi que ia cursar Direito mesmo, já que eu não tinha uma vocação evidente (ignorando completamente a parte musical), ao menos poderia fazer algo familiar a mim (meu pai e muitos familiares cursaram direito e atuam na área) e que pudesse me dar estabilidade (leia-se: fazer concurso público e ter emprego garantido pro resto da vida, basicamente).

Comecei a faculdade numa universidade particular, e fui bastante feliz nos dois semestres que estudei lá, ainda sem ter muito contato com o direito mesmo, e sim com as matérias mais filosóficas da coisa. Depois fui pra federal, e foi aí que a confusão começou. Aquela história de que aluno de universidade federal é autodidata é muito verdade, além de que nós temos que lidar com os egos cada vez maiores de certos professores… Conforme o tempo foi passando e eu não me identificava muito com nenhuma matéria, eu pensava: “ah, tô muito no início ainda, tenho muita coisa pra aprender, com certeza vou descobrir minha paixão…”. E assim passei pelo terceiro, quarto, quinto períodos. No meio da faculdade ainda sofri uma greve de 4 meses, o que enlouqueceu o calendário acadêmico e acabou com minhas férias até a formatura (considerando que não haja mais greves até lá).

Pois bem, estou no sexto período. Me pergunte se eu gosto de alguma cadeira que estou estudando agora. Não gosto. Cheguei num nível de saturação que até ir para a faculdade me tira a paciência. Vou pelos meus amigos, nunca pelos professores ou pelas aulas. Falando em professores, o que tenho visto tem me enojado de uma maneira que fica difícil não desacreditar naquela instituição. Onde já se viu professor de Ética fazendo chantagem com aluno? Onde já se viu professor de Processo Penal deixar aluno às lágrimas? Pois é, lá isso já aconteceu.  Professores terroristas, mesquinhos, perversos. Cadeiras mal dadas. Eu sei que essa realidade é comum, toda faculdade tem seus malas, mas eu falo da minha porque é o lugar onde eu passo algumas horas do meu dia, e não consigo tirar praticamente nada de bom desse tempo além de conviver com amigos.  Fora isso, bem, minha única esperança de gostar do que eu tô fazendo é o meu novo estágio, numa área que me interessa, que é o direito penal, então é isso.

Precisei escrever isso aqui porque estava entaladíssimo na minha garganta e tinha que sair. Passar bem.

Sobre a inércia diante do caos

 

Quando resolvi criar este cantinho, jamais imaginei que o nome que daria a ele seria tão coerente. Coerente com tudo, quero dizer. Com minha cabeça, e com o mundo em que eu vivo. Honestamente, eu sei que a vida é feita de desafios e novas experiências a cada dia e que temos que lidar com tudo de cabeça erguida e postura firme, mas há alguns períodos em que eu gostaria de me enfiar embaixo do edredom (num ambiente refrigerado, obviamente) e só sair depois que tudo tiver passado. É claro que isso é ilusão e que eu não posso fazer nada parecido, primeiramente porque meus problemas não se resolvem com mágica, e segundo porque eu tenho responsabilidades comigo e com outras pessoas. Portanto, não posso me esconder.

Acontece que, neste exato período, o que está rolando na minha vida é (e agora vem a lista):

1. Calendário acadêmico destrambelhado – graças à greve de 4 meses do ano passado, eu estou em pleno mês de julho tendo aulas (inclusive aos sábados), e só terei férias de novo em outubro (e assim por diante, tudo desorganizado). O que isso causa? Primeiro, inveja de todo mundo que está de férias agora e que tem seus calendários acadêmicos devidamente organizados; segundo, dá uma tristeza, porque aparentemente, o calendário só vai normalizar quando eu estiver me formando (o que é uma tristeza ainda maior, mais nostalgia, na verdade, e papo pra outro post).

2. Estágio – eis a experiência nova do momento. Pra uma pessoa que nunca trabalhou na vida, de repente estagiar E ter aulas em DOIS turnos todos os dias virou uma experiência de amor e ódio. Amor porque, bem… Tô ganhando meus dinheirinhos, aprendendo a me virar. Ódio porque eu tive a brilhante ideia de adiantar cadeiras na faculdade, o que me leva ao próximo item.

3. Acúmulo de estudo/trabalho – pois é. Ter aulas todos os dias pela manhã e pela noite, E estagiar. Fora que o estágio fica do outro lado da cidade, e a faculdade e o trabalho ficam longe de onde eu moro. Nunca detestei tanto o trânsito de Recife na vida como agora, e junto com ele, o sistema precário de transporte público. Além desse desconforto (e olhe que eu sou cara de pau e consigo muitas caronas pela vida), cabou-se o tempo pra estudar. E assim, vou acumulando meus trabalhos, minhas matérias, meu lazer (saudades da época em que podia me dar o luxo de ler livros cuja temática passava longe do mundo jurídico) para depois, e nunca dá pra desacumular, porque sempre tem mais. 

4. Falta de tempo – este item é uma continuação do anterior, mas o foco é outro. Nessa falta de tempo, acabou que eu não estou conseguindo, no momento, fazer minhas atividades físicas (além de estar constantemente doente, vale salientar!!!), o que é de extrema importância pra mim (quem me conhece sabe, e sabe também a fera que eu viro com energia acumulada…), e isso resulta num caos interior total, como se não bastasse o exterior.

Então, depois dessa exposição, constatei que: tenho tanta coisa para fazer que acabo não fazendo nada. Isso, simples assim. As atividades se embaralham de tal modo na minha cabeça que eu termino sem conseguir focar em uma de cada vez e, assim, terminar todas. Porque isso é impossível. Cada vez que penso em terminar uma atividade, me aparece outras três no lugar. E, veja, estou escrevendo este texto agora, quando deveria estar dormindo (convalescência…) ou estudando pra prova de quarta-feira. E o que eu estou fazendo? Desabafando. Virtualmente. Fuck logic, eu sei. Agora, devidamente desestressada (ao menos literariamente), vou dormir, que amanhã é sábado e já tem aula…

Apatia

n.f.
1. Ausência de sentimentos ou emoções perante situações ou causas que geralmente provocam comoção;
2. Do mesmo significado de indiferença ou impassibilidade;
3. Ausência ou escassez de energia ou vitalidade; preguiça ou ociosidade;
(Etm. do grego: apátheia)

 

Vinha se arrastando pela vida havia meses, sem metas que despertassem o ânimo – no sentido mais literal e profundo da palavra, alma -, sem motivos para festejar, sem interesse. Apática. As festas não mais a atraíam como outrora. As amizades pareciam superficiais. Episódios novos de seriados não mais causavam comoção. O único resquício de sensibilidade ainda era a reação ao estímulo musical. Música sempre era a melhor opção para qualquer momento, a alternativa perfeita para acompanhar o autoisolamento crescente dos últimos meses. Ela parecia tão normal, comum, ordinariamente comum em sua simpatia, em seu jeito de bem com a vida, é claro que ninguém suspeitaria. Talvez as recusas para festas dessem alguma bandeira sobre o que estava acontecendo, mas era tudo claramente resolvido com os comentários inocentes das amigas: “tás morgada, né, deixa de ser assim!”. Nada que despertasse maior curiosidade, por que despertaria?

A verdade é que desde sempre, aquela moça sentia uma pressão sobre si mesma, talvez fossem as expectativas? Ela as alcançava, quase sempre. Notas boas, bom comportamento, tudo regular. Família no lugar, disso não poderia reclamar jamais, tinha pais amorosos e cuidadosos, e hoje em dia isso é bem difícil de encontrar. Eles eram, talvez, os únicos que poderiam descobrir o que ela escondia com tamanha maestria, maestria que já era automática. Até então, isso não tinha acontecido. Algumas vezes, os pais a percebiam meio cabisbaixa, mas quem não fica assim vez por outra? Jamais pensariam que o problema era crônico, que eles tinham uma filha quebrada.

Ela era quebrada em tantas maneiras! Quebrada em sua indecisão, em sua insegurança, em sua apatia, em sua falta de confiança em si mesma e nos outros, em sua falta de fé que às vezes a acometia, em sua incapacidade de se abrir com quem quer que fosse, sem parecer autopiedosa, em sua constante distorção da própria realidade. Tudo nela, externamente, parecia tão feliz e tão normal, talvez até brilhante, exemplo; ao passo que, internamente, era só o caos. Caos principalmente porque ela percebia o caos que se passava dentro dela, mas não conseguia sentir realmente o caos, ou agir sobre ele. Ela apenas se refugiava em música, em leituras – as que ainda tinha paciência e algum ânimo para fazer -, esperando que a solução chegasse, sem conseguir pensar no que fazer quanto a isso.

A moça estava quase inerte.