Um encontro

Dias gelados seguiam noites geladas. Era inverno e a temperatura em Londres variava entre zero e menos quinze graus naqueles últimos dias.  A neve cobria boa parte da cidade, e caminhar ficava cada vez mais difícil, e talvez isso causasse uma menor vontade de sair de casa nas pessoas.

Numa ruazinha cheia de casas iguais e brancas, dois rapazes e uma moça lutavam para carregar três malões que deveriam levar até a estação de metrô de Victoria, em direção a King’s Cross. Os rapazes, gêmeos, eram completamente diferentes e chamavam a atenção a quilômetros de distância, um com cabelos negros em forma de moicano, o outro com dreads loiros e um boné negro na cabeça. A moça tinha um quê de meiga e de moleca, com seus cabelos castanhos, levemente ondulados, que caíam até a cintura, e com seu vestido floral contrastado com o par de coturnos pretos que calçava para enfrentar a neve.

O trio caminhava silenciosamente pela Belgrave Road, xingando mentalmente a estação Victoria, por ser mais longe do que a Pimlico, que ficava na rua logo atrás.

– Ainda não consigo entender como isso é possível. – disse a garota, quebrando o silêncio que pairava na rua.

– Isso o quê, Sky? – perguntou o gêmeo das tranças.

– Isso de Hogwarts! Eu sempre acreditei que era lenda urbana essa história de existir magia… Digo, Eton sempre me pareceu ser a versão verdadeira de Hogwarts, de onde deve ter saído a lenda. E agora, nós três recebemos cartas pra ir até lá? – suspirou Sky, afastando a neve enquanto arrastava seu malão marrom.

– Eu fiquei chocado também, especialmente porque eu e Chris não somos nem britânicos! Se estivéssemos em Berlim ainda, será que receberíamos as cartas? – disse o gêmeo do moicano.

– Drake, eu sou tão alemã quanto vocês, mesmo morando aqui há milhões de anos, e recebi a carta. Agora eu me pergunto uma coisa, será que a lenda do Harry Potter é somente lenda? Porque né, depois de descobrir que Hogwarts existe… – questionou Sky, pensativa.

– O que, Harry Potter? Claro que deve existir! Imagine, nós chegamos lá, somos mais velhos, e conhecemos o famoso Harry Potter! – Drake, o gêmeo do moicano, praticamente dava pulinhos de alegria.

– Se toda a lenda for verdadeira, espero que a Hermione Granger seja bonita… – pensou alto Chris, com um sorriso cheio de malícia.

Sky caiu na risada.

– O que, você está pensando nas garotas? Ai, Chris, você me deprime, sério! Nós vamos estudar MAGIA, vamos ter VARINHAS, vamos aprender FEITIÇOS, e você aí, pensando nas garotas de Hogwarts! – exclamou Sky, dando um soquinho no braço de Chris.

E assim continuaram conversando e discutindo sobre as possíveis verdades na lenda de Hogwarts, que a eles foi repassada pelos pais, que ouviram dos avós, e assim por diante…

A lenda de Hogwarts era conhecida em toda a Europa, e vagamente em outro lugares do mundo, como um universo paralelo, onde Hogwarts era uma escola de magia, e cujo herói era Harry Potter, que desde que nasceu, duelava com o bruxo das trevas, Voldemort. De acordo com as histórias, para se chegar em Hogwarts, era preciso pegar o Expresso de Hogwarts, na inexistente plataforma 9 ¾, em King’s Cross.

O longo caminho até King’s Cross foi feito quase em silêncio. No inverno os metrôs estavam quase sempre vazios, as pessoas não saíam muito de suas casas, e assim, Londres parecia uma cidade fantasma. Sky Schwallier, Drake e Chris Grey, absortos em seus pensamentos, saíram do primeiro metrô, e depararam-se com uma King’s Cross deserta. Passaram a procurar a tal plataforma 9 ¾, mas ao enxergarem as plataformas 9 e 10, não conseguiram encontrar um meio de descobrir o “9 ¾”, até verem um casal carregando malões exatamente iguais aos seus, indo em direção ao meio das plataformas 9 e 10.

– Vamos, anda, Rony, você vai querer perder o trem?? Dessa vez não tem um carro pra você e o Harry roubarem e irem voando! – ouviram uma garota de cabelos vermelhos flamejantes ralhar com o que parecia ser seu irmão mais velho, dado o mesmo tom de vermelho dos cabelos dele.

Sky, Drake e Chris se entreolharam.

– Voando? – sussurraram os três.

Chris, então, provavelmente atraído pela ruiva, aproximou-se dos irmãos.

– Erm, com licença, mas… hm… vocês, por acaso, estariam indo a… –

– Hogwarts? – interrompeu a ruiva. Chris assentiu. – Estamos sim. Você não parece ter 11 anos, mas não sabe como chegar lá?

– Hm, eu, meu irmão e minha prima somos meio que um caso especial, digo, não somos nada demais, mas é que recebemos a carta agora e, bem, parece que não vamos pro primeiro ano… – explicou Tom, confuso, coçando a cabeça.

– Como Dumbledore mandou uma carta pra vocês quando vocês têm… – começou o ruivo, irmão da garota.

– 16 anos. – respondeu Sky, se aproximando do grupo. – A propósito, eu sou Sky, este aqui é o Chris e aquele moicano ali é o Chris.

Os ruivos apertaram as mãos de Sky, Drake e Chris.

– Somos Gina e Rony Weasley, muito prazer. Bem, acho que Dumbledore deve ter alguma explicação pra trazer vocês pra Hogwarts depois de tanto tempo! Digo, eu tenho 16 anos também, e próximo ano letivo será meu último… – disse a ruiva.

– Então, basicamente, temos apenas um ano de escola? – perguntou Drake, falando pela primeira vez.

– Hm… é. – respondeu Rony.

– A propósito, é melhor irmos, o trem parte às onze horas em ponto!

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